A Herança da Luz
Minha primeira memória não é de uma paisagem, mas de uma sala escura na penumbra. Aos quatro anos, eu observava meu pai no silêncio de um laboratório fotográfico. Suas mãos, consideradas geniais, transformavam negativos inversos em cores vivas. Ele corrigia o brilho de um batom ou o tom da pele para que a arte da minha mãe — a maior fotógrafa de famílias que conheci — atingisse a perfeição.
Ali, entre o cheiro do revelador e a qualidade final das fotos de meus pais, aprendi que a beleza real exige precisão técnica e sensibilidade artística.