Como é o caminho até a trilha
Saindo do centro de Ushuaia, o transfer te leva em cerca de 20 a 25 minutos pela Ruta Nacional 3 sentido norte — a mesma estrada que corta a Tierra del Fuego. São aproximadamente 18 km até o estacionamento que marca o início oficial da trilha. Não tem como ir de carro próprio com segurança nem de forma prática, então o transfer com guia é a opção certa desde o começo.
Já no início da caminhada, o frio da Patagônia se faz presente — mesmo em março, que é o fim da temporada alta. O "efeito cebola" é real: comece com casaco e vá retirando as camadas conforme o corpo aquece. Eu saí com frio e terminei o trecho de subida com uma camiseta úmida de suor.
A passarela de madeira construída sobre o turbal — instalada há alguns anos para proteger esse solo esponjoso único da Patagônia · Foto: Jeff Gonzalez
O que você vai ver no caminho
A trilha cruza três ambientes distintos que fazem a experiência ser tão rica. Primeiro, o bosque de lengas — a árvore símbolo da Patagônia, que em março começa a tingir suas folhas de amarelo e vermelho, anunciando o outono. Depois, as áreas de turbal, aquele solo esponjoso e úmido que é único do extremo sul do planeta — e que por isso ganhou as passarelas de madeira que vemos hoje. E finalmente, as castoreiras — represas construídas pelos castores canadenses introduzidos na Tierra del Fuego nos anos 1940 e que transformaram a paisagem de forma irreversível.
Um guia competente vai te explicar toda essa geologia e história enquanto caminha — e é aí que a experiência ganha outra dimensão. Não é só chegar à laguna; é entender o que você está pisando.
O momento em que a laguna aparece pela primeira vez no horizonte — vale cada passo da caminhada · Foto: Jeff Gonzalez
Por que a água é dessa cor?
A cor verde-esmeralda da laguna não é filtro nem edição. É resultado da farinha glacial — partículas finíssimas de rocha moída pelo glaciar ao longo de milhares de anos que ficam suspensas na água e refletem a luz de uma forma que nenhuma outra substância consegue. Quanto mais fina a partícula, mais intensa a cor turquesa.
Em março, com o sol de final de verão patagônico inclinado no horizonte, a laguna brilha de um jeito que fica gravado na memória. Eu fiquei parado na margem por longos minutos sem falar nada.
O reflexo das montanhas na laguna — uma das vistas mais memoráveis da Patagônia · Foto: Jeff Gonzalez
Caminhantes na margem emoldurados pelas lengas — a dinâmica natural do passeio com guia · Foto: Jeff Gonzalez
Por que ter um guia é indispensável
Tecnicamente, a trilha não é difícil de seguir. Mas na Patagônia, "tecnicamente fácil" nunca significa "seguro sem apoio". O clima pode mudar em questão de minutos — sol, vento forte, chuva e névoa podem se alternar no mesmo dia. Um guia experiente monitora essas mudanças, dita o ritmo correto, sabe quando acelerar e quando parar, e garante que em qualquer emergência você tenha apoio imediato.
Além disso, o guia transforma a caminhada em experiência. As paradas para fotos nos ângulos certos, as explicações geológicas e climáticas, o conhecimento sobre a fauna local — tudo isso faz a diferença entre um trekking qualquer e uma memória que dura a vida inteira.
O melhor lanche da vida — na margem da laguna, após 4,5 km de trilha · Foto: Jeff Gonzalez
O que levar no trekking
Roupa em camadas é obrigatório — camiseta, segunda camada leve e casaco corta-vento impermeável. Calçado de trekking com bom grip, de preferência impermeável, já que o trecho de turbal pode ser bastante úmido. Protetor solar mesmo em dias nublados — o sol patagônico na altitude engana. Água (mínimo 1,5L), chapéu ou gorro, e um bastão de caminhada se tiver problemas nos joelhos.
Se o tour incluir almoço, você não precisa se preocupar com comida. Mas leve sempre barrinhas de energia como reforço — o retorno de 4,5 km depois de já ter caminhado bastante exige que o corpo esteja abastecido.
Melhor época para fazer o trekking
A temporada vai de novembro a abril. Minha recomendação pessoal é março — o outono patagônico começa a colorir os bosques de lengas, o movimento de turistas diminui ligeiramente em relação ao pico de janeiro, os dias ainda são longos e o clima tende a ser mais estável. Foi exatamente o que vivi em 4 de março: um dia de sol, temperatura agradável e a laguna em plena glória.
Janeiro e fevereiro são ótimos também, mas com mais turistas. Novembro é a chegada da primavera — tudo muito verde, flores e temperatura ainda baixa. Cada mês tem seu charme, mas março tem um lugar especial no meu coração.