A revista de luxo Escape Magazine publicou um perfil sobre minha trajetória e minha nova fase como Travel Designer. Há coisas na matéria que me fizeram parar e respirar fundo.
Recebi uma mensagem de uma jornalista semanas atrás. Ela tinha visto o site, lido sobre minha trajetória e queria conversar. Confesso que fiquei com aquela sensação estranha de quem está prestes a se ver de fora.
A matéria saiu hoje na Escape Magazine, assinada pela jornalista Raquel Pryzant — uma das revistas de viagem de luxo mais respeitadas do Brasil. E quando li, parei no meio do texto.
Não porque estava errado. Mas porque estava certo demais.
"Aprendeu a ver antes de aprender a ler o mundo."
Essa frase me pegou. Porque é exatamente isso — cresci num laboratório fotográfico, filho de fotógrafos, aprendendo luz e composição antes de aprender a ler mapas. Nunca tinha colocado assim antes. Mas quando li, reconheci.
Vinte e um anos olhando para a Patagônia me deram algo que nenhum algoritmo vai conseguir replicar: saber o que uma pessoa realmente quer quando diz que quer "ver um glaciar". Às vezes ela quer silêncio. Às vezes quer emoção. Às vezes quer se sentir pequena diante de algo maior do que ela mesma.
Isso não está no Google. Está em cada conversa que tive, em cada viajante que acompanhei, em cada temporada que vivi naquele território imprevisível.